
A companhia de teatro "Os Satyros" está fazendo uma temporada aqui no Rio de Janeiro, no Teatro Sérgio Porto. Trouxeram 3 espetáculos: "A Filosofia na alcova", "Justine" e "Os 120 dias de Sodoma". Ontem (12/07), fui conferir "Os 120 dias de Sodoma". A companhia existe há 20 anos e faz grande sucesso com seus espetáculos. "Os 120 dias de Sodoma" está em cartaz desde maio de 2006. O espetáculo trata das questões filosóficas e políticas colocadas pela obra do Marquês de Sade, em um contexto brasileiro de corrupção e decadência das instituições sociais. Por conta disso, os personagens são Ministros, Juízes, Bispos e toda corja do poder, e são chamados de libertinos. Além destes, temos as pobres vítimas dos libertinos, jovens que são submetidos a todo tipo de tortura sexual. Antes de o espetáculo começar, alguém da produção do grupo alerta à platéia sobre o espetáculo que vai ser apresentado, diz que as cenas são muito fortes e que se alguém quiser pode sair antes de começar ou até mesmo durante o espetáculo. Depois desse aviso, uma agitação é percebida entre os presentes. Risos nervosos e ninguém sai da sala. O espetáculo conta com um narrador que vai apresentando os personagens e vai pontuando os diversos ciclos e as loucuras dos libertinos. A companhia conta com atores experientes e tantos outros novatos, mas muito envolvidos com o trabalho. A cenografia é simples, um tatame com desenho e um pequeno palco com tapete vermelho e um piano, onde é executada ao vivo a trilha sonora do espetáculo. Os figurinos são apenas razoáveis, tentando evocar a época do marquês de Sade, misturados com outros mais modernos, quando utilizados pelas vítimas. Digo isso, pois várias vezes o elenco está nu. Não cabe aqui destacar esta ou aquela interpretação, mas podemos dizer que o trabalho do grupo é uniforme e todos que estão em cena parecem estar cientes do que estão fazendo, embora tenha faltado um pouco mais de maldade e crueldade na interpretação dos libertinos. "Os 120 dias de Sodoma" serviu para conhecer a companhia, mas não acredito que seja o melhor trabalho dos Satyros.
Em tempo: 3 pessoas saíram no meio do espetáculo